7 encontros (2h) | online ao vivo | com leitura guiada e discussão clínica | gravação disponível
Horário: 19:30 às 21:30
Público-alvo: estudantes de Psicologia, psicanalistas em formação, profissionais da saúde/educação interessados na clínica psicanalítica
Oferecer uma introdução rigorosa e clínica ao estudo da neurose em Freud e Lacan, articulando conceitos fundamentais, diferenciação estrutural e manejo clínico na histeria e na neurose obsessiva.
Exposição teórica + leitura comentada + vinhetas clínicas (sem identificação) + discussão orientada por perguntas de supervisão (preservando dados de privacidade e confidencialidade dos fragmentos de casos clínicos).
Estrutura do curso (aula aberta no YouTube + 6 encontros na plataforma, total de 7 encontros)
Docentes: Renata Wirthmann, Wesley Peres, Tiago Ravanello
Data: 27 de abril de 2026
O objetivo deste encontro é debater sobre a questão do diagnóstico estrutural em psicanálise, destacando tanto sua necessidade clínica quanto os impasses que atravessam sua prática na contemporaneidade. Ao longo do curso, acompanhamos como Freud e Lacan construíram ferramentas para pensar a neurose. Trata-se de recolocar este percurso à altura dos desafios da atualidade. Na clínica contemporânea encontramos quadros marcados por comorbidades, sintomas híbridos, efeitos prolongados de medicação, oscilações identificatórias, passagens corporais intensas e formas de sofrimento já recobertas pelo vocabulário psiquiátrico e psicologizante disponível na cultura. Nada disso autoriza a conclusão de que as estruturas tenham desaparecido ou perdido sua pertinência. Ao contrário, indica que o trabalho diagnóstico exige ainda mais rigor, precisamente porque o analista precisa distinguir entre o fenômeno manifesto e a lógica que o sustenta.
Será igualmente importante discutir como as neuroses se apresentam no século XXI, de reconhecer como se manifestam em uma cultura marcada pela inflação diagnóstica, pela psicofarmacologização do sofrimento, pela exigência de desempenho, pela aceleração temporal e pela fragilização de certas mediações simbólicas. Encerrar o curso com essa questão significa reafirmar que a clínica psicanalítica continua a depender mais da capacidade de escutar do que da pressa em nomear. Se as neuroses do século XXI parecem mais opacas, mais híbridas ou mais recobertas por discursos classificatórios, isso convoca o analista a pensar o diagnóstico ainda mais rigor, fineza e responsabilidade.
Docentes: Wesley Peres e Renata Wirthmann
Data: 04 de maio de 2026
O objetivo deste encontro é oferecer as bases conceituais para a compreensão da clínica das neuroses. Neste encontro vamos iniciar e aprofundar no diagnóstico estrutural. O diagnóstico da psicanálise, diferente do diagnóstico nosológico da psiquiatria, é estrutural. Para falarmos de uma clínica a partir do diagnóstico estrutural precisamos definir, primeiro, o que é estrutura. Encontramos as bases do estruturalismo na linguística de Saussure e, sobretudo, de Jakobson. A psicanálise lacaniana vai até a linguística e aos estruturalistas para organizar seu campo clínico. Para Lacan a linguagem cria, organiza e transmite a realidade psíquica. Lacan, em retorno à Freud, compreende esta como a única realidade que importa para o sujeito, pois define sua existência no mundo. Em consonância com a estrutura da linguagem, consideramos que o sujeito é um efeito de linguagem ou, ainda, uma resposta em ato. A ideia de estrutura, para a psicanálise, se relaciona com a metáfora de amarração. Sabemos que a linguagem nos atravessa, uma vez que todos nós estamos na linguagem, ou seja, na cultura. A questão é como nos amarramos na linguagem que nos atravessa. No caso da neurose, foco deste curso, a amarração se dá pela via da fantasia.
Docentes: Renata Wirthmann
Data: 11 de maio de 2026
O objetivo deste encontro é examinar a histeria na fundação da psicanálise. Este percurso inicia em Estudos sobre a histeria (1893-1895), no qual Freud e Breuer apresentam o novo método de exame e tratamento dos fenômenos histéricos e articulam esse trabalho a uma série de histórias clínicas. Neste encontro, serão retomados os casos clínicos freudianos mais importantes para a compreensão da histeria, iniciando pelos casos Anna O., Emmy von N., Lucy R., Katharina e Elisabeth von R. Após este percurso vamos aprofundar, mais especificamente, no caso Dora, publicado em 1905 como Fragmento da análise de um caso de histeria, deverá ocupar lugar privilegiado neste encontro, porque nele se condensam de maneira exemplar os principais eixos da histeria em Freud: o sintoma como mensagem, a cena amorosa, a ambivalência identificatória, a fantasia, os sonhos e a transferência. A histeria comparece, assim, como uma via privilegiada para compreender a lógica do conflito psíquico, a função defensiva do sintoma e o estatuto do corpo na psicanálise.
Docentes: Tiago Ravanello
Data: 18 de maio de 2026
O objetivo deste encontro é examinar como Lacan relê a histeria no interior de sua teoria dos quatro discursos. A partir do Seminário 17, Lacan formaliza os discursos do mestre, da universidade, da histérica e do analista, concebendo-os como estruturas que distribuem, em posições diferentes, os termos S1, S2, $ e a. Nessa formalização, o discurso designa uma ordenação estável das posições do sujeito, do saber, da verdade e do gozo. Dentre os quatro discursos, o discurso da histérica ocupa um lugar central ao explicitar a posição do sujeito dividido que interpela o Outro, exige dele um saber e, ao fazê-lo, produz movimento no campo do saber sem jamais encontrar uma resposta totalizante. A articulação com os outros três discursos será decisiva para a compreensão desse ponto. O discurso da histérica se distingue dos outros três porque é ele que coloca o mestre para trabalhar, convoca saber, desestabiliza identidades fixas e evidencia que há um impossível em toda pretensão de completude. Com a formulação lacaniana da histeria como discurso a consolida como uma forma privilegiada de interrogar o saber constituído, o poder e a verdade.
Docentes: Renata Wirthmann, Wesley Peres
Data: 25 de maio de 2026
O objetivo deste encontro é examinar a neurose obsessiva a partir da elaboração freudiana, destacando o modo como Freud a nomeia, diferencia e a investiga clinicamente. Se a histeria ocupa lugar inaugural na descoberta do inconsciente, a neurose obsessiva permite a Freud formalizar com maior precisão a função da defesa, a ambivalência afetiva, a culpa, a dúvida e os impasses do pensamento em sua relação com o desejo. Neste encontro, será importante retomar os principais casos clínicos ligados à neurose obsessiva em Freud, com ênfase especial em Notas sobre um caso de neurose obsessiva (1909), conhecido como o caso do Homem dos Ratos, um dos textos clínicos mais célebres de toda a obra freudiana. O caso permite ainda localizar com nitidez a função da culpa, inclusive quando não há ato consumado, bem como a tendência obsessiva a tomar o pensamento como campo de vigilância moral, como se pensar pudesse equivaler a desejar, desejar pudesse equivaler a agir, e agir implicasse inevitavelmente catástrofe, punição ou perda irreparável. Nessa lógica, o sujeito obsessivo se vê preso a uma maquinaria psíquica marcada pela dúvida, pela necessidade de controle e pelo adiamento constante da decisão.
Docente: Tiago Ravanello
Data: 01 de junho de 2026
O objetivo deste encontro é examinar como Lacan retoma a neurose obsessiva e a reorganiza a partir de uma leitura estrutural. Em Freud, a neurose obsessiva já se apresenta como clínica da defesa, da culpa e da ambivalência; em Lacan, ela passa a ser formalizada como uma posição subjetiva marcada por uma relação específica com a demanda do Outro, com a falta e com o impossível do ato. Neste encontro, a neurose obsessiva será trabalhada a partir da tese de que o obsessivo procura manter o desejo em estado de impossibilidade. Em vez de se confrontar diretamente com aquilo que deseja, o sujeito obsessivo interpõe entre si e o ato uma série de mediações: raciocínios, escrúpulos, preparações, garantias, verificações, cálculos e rituais. O pensamento, nesse contexto, serve para retardar a conclusão, para neutralizar a emergência do desejo e para produzir a ilusão de um domínio sobre aquilo que, estruturalmente, escapa ao controle. É por isso que a clínica obsessiva frequentemente se apresenta como exaustão pelo controle, como ruminação interminável e como dificuldade de concluir. O sujeito parece sempre prestes a agir, mas permanece capturado na preparação infinita do ato. Outro ponto decisivo deste encontro será a articulação entre desejo, morte e tempo na neurose obsessiva. Lacan mostra que o obsessivo tende a se colocar numa posição em que o desejo só poderia realizar-se plenamente quando o Outro estivesse ausente, morto ou esvaziado de sua demanda.
Docentes: Renata Wirthmann, Wesley Peres
Data: 08 de junho de 2026
O objetivo deste último encontro é a escrita do caso clínico como operação fundamental da clínica psicanalítica e da supervisão. A escrita de um caso clínico é um instrumento de formação do analista, pois é por meio dela que se torna possível reler a própria escuta, localizar impasses, interrogar intervenções e recolocar a condução do tratamento a partir do que estudamos sobre as estruturas. Escrever um caso implica construir, a partir da escuta analítica, a lógica singular de uma posição subjetiva e da direção de um tratamento. E a supervisão? A supervisão comparece como espaço de elaboração da clínica, de refinamento diagnóstico e de sustentação ética do trabalho analítico. Trata-se de um dos três eixos do tripé da formação continuada, nomeada também como análise de controle, que propõe, junto a um terceiro mais experiente, fazer um exame minucioso do seu trabalho como analista, investigar o que escutou sob transferência e quais as construções, pontuações, interpretações, cortes e demais produções feitas.